Depois das aventuras que viveram juntos na noite de Natal, Bia e os Toons tornaram-se grandes amigos. Todos os dias, quando terminavam o horário de trabalho, os Toons corriam para a casa de Bia, que os recebia de braços abertos e uma mente cheia de imaginação.

Em um belo fim de tarde, faltando cinco dias para a Páscoa, estavam os quatro deitados no quintal da casa de Bia: ela, uma menina corajosa e dona de um coração gigante; Balu, Toon de pelos roxos igual jabuticaba; Dudu, simpático e amigo para todas as horas e Laila, a Toon de pelos verdes mais carinhosa e estabanada do planeta.

Bia e os Toons estavam um pouco entediados. Já haviam brincado de tudo o que se pode imaginar, mas, ainda assim, continuavam com energia de sobra. Foi então que Dudu deu um salto no ar e disse: — Já sei, amigas! Sei do que podemos brincar agora! Animadas, as três responderam ao mesmo tempo: — Eba!! Qual é a sua ideia? — Bom, existe uma tradição que fazíamos muito lá em casa: a pintura de ovos de galinha!

Bia trocou olhares curiosos com Balu e Laila, até que declarou: — Dudu, eu acho que você está ficando lé lé da cuca… quem traz os ovos de chocolate na Páscoa é o COELHINHO, não a GALINHA.

Dudu deu uma risada e continuou a explicação.

— Eu sei, minhas amigas. Acontece que os ovos de galinha podem ser mais divertidos do que vocês imaginam! — percebendo que elas escutavam com atenção, prosseguiu — A brincadeira é a seguinte: com muito cuidado, vamos tirar a clara e a gema do ovo, procurando deixar a casca intacta. A ideia é que a gente pinte essa casca com tinta, purpurina e muita criatividade. Depois de seca, vamos preenchê-la com amendoins e guloseimas, e presentear quem mais amamos.

Agora, Bia, Balu e Laila pareciam muito empolgadas com a ideia, por isso foram logo buscar tintas das mais variadas cores, canetas, lápis e tudo o que pudesse vir a calhar para a confecção dos ovos.

O tempo passou depressa e revelou que os amigos eram ótimos artistas. Bia pintou seu ovo com todas as cores do arco-íris, tomando cuidado para não borrar nada. Balu pintou a casca numa cor mais neutra, desenhando pequenas cenouras alaranjadas. Dudu não economizou na purpurina e fez um ovo tão brilhoso quanto as estrelas. Laila, por sua vez, decidiu confeccionar a casca com pequenas flores que encontrou pelo jardim. Satisfeitos, estava na hora de encher suas obras de arte com amendoins açucarados.

Quando os ovinhos ficaram prontos, Bia declarou pensativa:

— Precisamos encontrar um lugar para escondê-los...

Balu tinha a resposta na ponta da língua: — O que vocês acham da gente colocar os ovos numa cestinha de palha e guardar nos fundos do quintal? Assim, ninguém vai encontrá-los antes da hora e poderemos fazer uma surpresa, no domingo de Páscoa.

Eles se entreolharam e concordaram quase que por telepatia. Em menos de quinze minutos, escolheram uma cesta, acomodaram os ovos e esconderam atrás do limoeiro que Bia tinha no jardim. Agora, era só esperar.

A cada dia, ficavam mais ansiosos. Não viam a hora de entregar a surpresa para seus amigos e familiares. Tudo corria bem, até que, a menos de dois dias da Páscoa, algo muito estranho aconteceu.

Bia, Balu e Dudu estavam no quarto da menina, brincando com um jogo de tabuleiro. Dudu estava numa sequência de boas jogadas, quando escutaram um barulho vindo lá de fora. Curiosos, se levantaram na mesma hora e correram até o quintal de Bia.

A princípio, não parecia haver nada de errado, até que a menina exclamou:

— Vejam!!
Ela apontava para uma grande pegada, deixada no meio das folhas. Dudu, intrigado, perguntou às amigas:
— Vocês acham que pode ser o Coelhinho
— Não sei, ainda faltam dois dias para a Páscoa... — respondeu Bia.
— Além do mais, essas pegadas estão muito grandes para ser do Coelhinho… e só há uma maneira de descobrirmos a quem elas pertencem de verdade. — completou Balu.

Os três encheram o peito de coragem e começaram a seguir as marcas deixadas no chão. De início, não conseguiam vislumbrar onde aquela busca terminaria. Mas, pouco a pouco, o caminho foi parecendo familiar. Estavam indo em direção aos fundos do quintal de Bia, mais precisamente para… o limoeiro!!

Por entre as plantas e arbustos, avistaram um ser de pelos verdes, virado de costas para eles. Sabiam exatamente de quem era aquele jeitinho atrapalhado.
— LAILA!! — exclamaram juntos.
A Toon girou os quadris e deu de cara com os amigos. Ao redor de sua boca, havia uma fina camada de açúcar, misturada com cascas de amendoim. Todos caíram na gargalhada, enquanto Laila procurava se explicar.
— Perdão, amigos… eu sei que não deveria ter queimado a largada, mas estava, realmente, com muita vontade de experimentar essas guloseimas. Ela parecia bastante triste e arrependida pela atitude. Balu consolou:
— Você poderia ter nos dito, Laila… não iríamos brigar com você. Apenas prometa que não vai mais enganar a gente. Combinado?
— Combinado! Pode deixar comigo.

Olhando para os ovinhos vazios no cesto, Bia resolveu quebrar o gelo, sugerindo:
— Bom, por um lado, vai ser legal confeccionar mais ovos… eu busco a tinta e as canetas!
— Deixa que eu vou com você, Bia! — disse Laila, tentando ajudar. Sorridentes a animadas, as duas foram correndo buscar o material, enquanto Balu e Dudu ajeitaram o quintal para a brincadeira. A noite seria longa, e a diversão também.

Se Bia e os Toons ainda estão em tempo de pintar os ovinhos para a Páscoa, você também está! Reúna os pequenos e coloque a mão na massa com o que têm em casa. Uma feliz e divertida Páscoa.